Últimas

Laboratório vai produzir pele humana para pesquisas


Restos de pele humana que seriam descartados após cirurgias plásticas podem ser reconstruídos e usados em testes científicos, substituindo o controverso uso de animais. Com a inauguração do laboratório de bioengenharia de tecidos da Episkin — subsidiária da L’Oréal — , nesta segunda-feira, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, esse modelo de tecido humano passará a ser disponibilizado a centros de estudos que buscam um método alternativo ao uso de cobaias.



— Pode-se usar a pele reconstruída para testar qualquer produto que entre em contato com a pele. A preditividade da pele reconstruída é de 98% — afirma Rodrigo De Vecchi, diretor da Episkin Brasil.

Com isso, as indústrias de cosméticos, farmacêutica e de agrotóxicos, além de setores como os de brinquedos e materiais escolares, têm a possibilidade de realizar seus testes de segurança prescindindo de animais vivos.

— A pele deve chegar viva ao laboratório para fornecer resultados confiáveis e garantir que o produto testado não vá causar irritação, alergia ou nenhuma outra reação adversa — afirma de Vecchi, que garante: — Enviamos sob encomenda e em no máximo 48 horas por Sedex, para diferente regiões do país.

Ainda segundo o diretor, o centro brasileiro — terceiro da marca a ser inaugurado, depois dos de Lyon (França) e de Xangai (China) — tem a capacidade de produzir 10 mil unidades de pele por ano.

A difusão dessa tecnologia se dá no momento em que o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, obriga os laboratórios do país a adotarem métodos alternativos ao uso de animais em atividades de pesquisa.

A partir do dia 24 deste mês, o uso de cobaias deverá ser substituído sempre que houver método alternativo validado, segundo resolução de 2014 do Concea cujo prazo para adaptação dos laboratórios se expira agora.

Segundo Renata Marazo e Costa, coordenadora do Concea, a indústria farmacêutica e a de agrotóxicos são as que mais fazem uso de animais em atividades de pesquisas.



Nenhum comentário

Os comentários serão moderados antes de serem publicados.